domingo, 26 de maio de 2013

Chuck: uma série especial.


Por Erick Johnson.

*: Adam Baldwin também caiu perfeito para o papel do Coronel Casey.

Em 2011, no auge dos meus 13 anos estava vivendo um dia muito chato, cheio de adventos (Derrota no Counter Strike) tristes para um garoto de 13 anos. Dia muito chato no qual eu achava que não iria melhorar até o próximo. Com minhas lástimas pífias fui para a casa continuar minha tarde com destino a lista das piores de minha vida até então. Liguei a TV, e coloquei no 12, antigo SBT. Estava transmitindo Chuck, não o boneco assassino, muito menos o lendário Norris. Mas sim um nerd alto, magrelo, meio sem jeito, que trabalhava numa loja de eletrônicos, em Burbank, LA. Decidi assistir, já que não havia muitas coisas para eu fazer naquele dia.

Estava sendo transmitido um episodio da 3ª temporada, bem maluco pra ser sincero. Porém, realmente gostei do que estava assistindo. Fiquei ciente logo no inicio de que se tratava de uma série cativante, essencialmente especial. Ao fim dos 40 minutos de episodio, um dia que estava condenado a ser chato, se tornou legal. Feliz até.

Fui dormir muito contente por ter descoberto um programa que eu gostava na TV, disse a mim mesmo que iria acompanhar aquela série atípica. No fundo, eu sabia que era especial.

Mas eis um fato engraçado, e típico de moleque que vivia na Lan House: No dia seguinte, esqueci-me totalmente. Sim, simplesmente esqueci! Esqueci-me da série que me animou, e que gostei tanto. Como pude? 


Neste período, ainda havia a febre da Lan House. Sempre que podia eu estava lá: War Games era o nome do local em que eu gastava boa parte de meu tempo livre, e esquecia tudo jogando o que eu podia, sempre que podia, durante 3 anos, quando ganhei um computador.

Continuei minha vida, jogando muito mais, agora que tinha meu próprio computador, e às vezes sentindo falta das jogatinas alucinantes na falecida War Games.

Porém, em meados de 2012, agora com quase 14 anos, um pouco menos idiota, e consideravelmente menos feliz (Mais idade, menos felicidade), me via ali, alternando entre olhar para o logo do Google, e subir e descer as atualizações do Facebook, pensando falhamente no que eu poderia fazer para me alegrar. Nesses pensamentos direcionados a falha, meus caros, ocorreu-me uma série... Uma série que havia visto há 1 ano no SBT, a série que havia me ajudado num dia difícil. Recordei brevemente algumas cenas e decidi assistir. A magia da internet se fez presente e em poucos minutos, com bolachas richesters na mão, estava assistindo ao primeiro episodio de CHUCK, meu inicio no mundo das séries.

Despendi o resto do dia assistindo, depois a semana, incansavelmente até o término do último episodio da última temporada. Tornou-se uma semana incrivelmente mais feliz, e ao mesmo passo emocionante. Estava certo na primeira vez que assisti: Se tratava de uma série especial: Começa com um cara que trabalhava na Buy More. Um dia, um velho amigo da faculdade, manda um e-mail cheio de segredos. E no dia seguinte, a vida dele muda de verdade, quando ele conhece uma espiã chamada Sarah. E se apaixona.

Uma estória recheada de reviravoltas que envolvem espiões, supercomputadores, segredos, sacrifícios, laços familiares e o mais importante: Amor, um amor com barreiras, emocionante, que se desenvolve e fortalece a cada cena.

Amor entre um “nerd”, meio sem jeito, mas com um grande coração e incrivelmente sentimental, que acaba de baixar no seu cérebro após um e-mail, – sem saber – um supercomputador com todas as informações mundiais. E uma espiã da CIA, com poucas emoções e ligações sentimentais, enviada a Burbank para ser guardiã de Chuck, o Intersect (nome do supercomputador).

Até este ponto, percebe-se que há o típico casal das séries ao redor do mundo. No entanto, vejo algo mais em Chuck e Sarah. Quando os vi pela primeira vez contracenando, quando Chuck, distraidamente, canta no balcão da Nerd Herd, é perceptível a química entre os dois atores. Claro, sou suspeito para falar, mas concordemos: Entre Zachary e Yvonne é perceptível uma genuinidade incrível. A química entre os dois é algo fenomenal, algo que nunca vi em casal algum da TV. Logo na primeira cena em que contracenaram, ficou óbvia – para mim - a qualidade que ambos assumiriam ao longo da série. Sem dúvida um dos mais belos casais do mundo das séries e, pra mim, o melhor. O melhor justamente por se mostrarem tão genuínos em suas atuações, diferenciando-os dos demais casais por coisas simples, detalhes, gestos, olhares. Algumas vezes os produtores dão a sorte de encontrarem atores perfeitos para protagonizar, nesse caso, uma sorte dupla*: Conseguiram encontrar alguém parecido na vida real com o personagem proposto, e uma atriz que parece ser tão apaixonada pela série como uma verdadeira fã, aumentando a vontade de tornar a atuação ainda mais genuína possível. Mesmo se caçassem ninguém seria tão apto para atuar como Chuck Bartowski e Sarah Walker quanto Zachary Levi e Yvonne Strahovski.  Há momentos em que simplesmente não acredito que não sejam marido e mulher.

A série não fica apenas nos ombros de Chuck e Sarah. Personagens como Morgan Grimes, Coronel Casey, Ellie, Cap. Incrível, Lester e Jeff, a transformam ainda mais legal e divertida. Para mim, todos os atores caíram como luvas para os personagens, não consigo ver outras pessoas os interpretando, por melhores que sejam.

Não sou uma pessoa que se comove fácil, tenho de ressaltar. Não obstante, pela primeira vez, com todo orgulho indo goela abaixo, admito: Senti algo inexplicável ao assistir o último episódio novamente. A reviravolta na quinta e ultima temporada, foi um evento totalmente triste, e magnífico, apesar de demasiadamente triste. CHUCK será sempre recordada. Recordada por me deixar feliz em momentos realmente sérios, e insignificantes, como o de 2 anos atrás. E principalmente por sempre causar emoções nunca sentidas antes.


No auge dos meus 13 anos não tinha certeza de muitas coisas, nem o que queria para mim no presente, tampouco no futuro. Hoje, com 15 anos, continuo não sabendo muito, nem tendo certeza de muitas coisas. Porém, há algo que tenho certeza que quero para meu presente e  futuro: Um amor como Chuck e Sarah Bartowski.
                                                              
                                                             **

E você? Há alguma série que te ajudou/marcou, assim como CHUCK a mim? Comente! 

Optei por falar sobre CHUCK em minha primeira matéria na coluna sobre série por achar que seria uma boa forma de conhecer um pouco mais sobre esse que vos escreve. Espero que tenham gostado, senhores e senhoras. Até a - se a criatividade deixar - próxima. .

Aproposito, desculpem qualquer ato hiperbólico. :)

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Seung-Hyunn Park: uma história de coragem.

Por Flávio Viana.

Você já ouviu falar de Seung-Hyun Park? Não? E se fosse Go)Space? Melhorou? Para muitos... Não! Esse jogador foi um famoso jogador profissional de Warcraft III. Caso não saibam, pessoas são pagas para jogar em nível profissional alguns dos jogos como Warcraft III, League of Legends (LoL), DotA/DotA2, Counter Strike: Global Offensive, e outros!

Antes de continuar a respeito sobre o rapaz, um questionamento deve ser pensado: qual a relação dos jogos com a vida das pessoas? Ao contrário do que muitos pensam, jogos podem influenciar positivamente e negativamente na vida das pessoas. Temos inúmeros exemplos dos dois lados. Pelo lado negativo eu poderia citar o caso do chinês Xioyi, que tinha 13 anos em dezembro de 2004, e se matou, pulando de um prédio, deixando, em uma carta, o motivo do suicídio: ia se encontrar com os amigos de World of Warcraft e outros casos bizarros poderiam ser citados. Como também há bom motivos para elogiar os games: o também chinês Jiang Bin, 31 anos, foi o terceiro colocado em uma competição nacional de habilidades médicas, sendo ele o mais jovem entre os colocados. Ele atribuiu boa parte de seu rendimento ao Counter Strike 1.6, que deu a ele boa coordenação.

E o caso de Go)Space? Esse jovem rapaz sofria de distrofia muscular (há relação com o problema de Stephen Hawking, caso alguém esteja curioso) desde os 11 anos. Com dificuldade para ler sozinho, sair, só podendo então apenas mover os dedos, como ele próprio disse, não havia praticamente nada o que fazer. Mesmo com as limitações físicas, o jovem jamais desistiu de ser um jogador top, e ele conseguiu! Venceu diversos torneios online e sempre estava presente entre os grandes. Em 2008, inclusive, com a ajuda da organização fnatic, ele pôde disputar um torneio em lan, mesmo com várias condições adversas e seus problemas de saúde.

Space jogava com a raça Undead (morto vivo), e de ‘undead’, ele não tinha nada. Era conhecido por ser uma pessoa extremamente carismática, um exemplo de força e coragem. Infelizmente, aos 23 anos, o jovem talento abandonou este mundo que vivemos para, quem sabe, ser feliz em outra vida, sabe-se lá. O que fica é o legado que os jogos podem trazer para a felicidade de um indivíduo, quando utilizados com um bom propósito. Graças a força de vontade de um valente rapaz, a dor de sua morte foi aliviada. Quem sabe, assim, o preconceito contra os jogos diminua!

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Devaneios.

Por Isaac Harfen.

Lentamente nos sentimos mais perto do que estamos esperando; sabemos que certamente algo acontecerá. A cada página lida sentimos um caos que, num dado momento, explodirá em um clímax intenso. A atmosfera aos poucos passa a se fechar em volta de nós, até então nos dominar por completo. Pobre em descrições, o estilo obscuro e perturbador do autor nos força a sermos analistas e a interpretarmos o que lemos, eu acredito, para nos inserir mais efetivamente em sua trama.

Pobre, porém muito orgulhoso e inteligente, Ródion Romanovitch Raskólnikov, um jovem  ex-estudante de direito dono de uma mente em confusão e doentia, planeja um assassinato contra uma velha usurária ao se encontrar numa situação desprezível: ainda morando em um cubículo sujo, devia dinheiro a certa locatária. Mas esta não era a principal razão para o assassínio, ele se via no direito de matá-la. Essa atitude lhe causa um intenso conflito em sua mente que o atinge da primeira até a ultima página.


Poderia escrever uma resenha, o livro é de uma complexidade interessante, mas por ora somente falarei dele abordando-lhe só uma superfície, portanto o que está lendo será curto. Depois postarei uma resenha, uma matéria que mergulhe mais profundamente em Dostoiévski, meu escritor favorito e atualmente minha principal influencia.

Raskólnikov possuía um comportamento melancólico e mórbido. Certas vezes sofria delírios, outras vezes saia de casa para caminhar pela cidade como um ébrio... Não bebia muito, mas havia momentos em que entrava em tavernas se permitindo estar entre pessoas. Não socializava muito – passara um mês inteiro em isolamento – mas algumas vezes não suportava ficar em sua casa, sobretudo pelo fato daquela ideia tanto o perturbar quando ele se encontrava lá. Achava que sair um pouco lhe faria esquecer um pouco as coisas que o inquietava e, quando se via em meio àquele povo humilhado, se identificava com eles e se sentia melhor. Sentia que, quando ficava sozinho, uma sombra perigosa se aproximava. Saia porque também queria esquecer a locatária e se queixava de que sua “casa” intensificava sua melancolia.

De quase 600 páginas, ao menos a tradução em português que li, Crime e Castigo é um livro que o caracterizo como genial e não é à toa que seja considerado uma das maiores obras da literatura – para alguns a maior – e que, por exemplo, influenciou todo o século XX, como Freud e Kafka. Fora publicado em 1866. É um romance realista e de alto teor psicológico, principais características de Dostoiévski em seus escritos, e claro, não é a única obra genial do autor. Em sua vida, começando por Pobre Gente em 1846 quando tinha 25 anos, foi escrevendo as maiores obras da literatura.

Levantou-se tarde no dia seguinte, após um sono agitado que não lhe reparara as forças. Despertando, sentiu que estava de mau humor e lançou em volta de si um olhar  de tédio, irritado. Esse cubículo de seis passos de comprimento tinha o aspecto mais miserável que se pode imaginar, com os estofos amarelados, deteriorados e imundos de poeira. O teto era tão baixo, que um homem de estatura alta não estaria à vontade naquela toca, com o permanente receio de bater nele com a cabeça. A mobília estava em harmonia com o recinto: três velhas cadeiras com falta de pés, a um canto uma mesa de pinho, na qual se amontoavam livros e cadernos cobertos de densa camada de pó, evidente prova de que havia muito deque não tocavam neles; finalmente, um grande e desmantelado divã, cujo estofo se desfazia.
Este móvel, que ocupava quase metade do quarto, era a cama de Raskólnikov, que nele dormia quase sempre vestido e sem lençóis, cobrindo-se com a sua velha capa de estudante e encostando a sua cabeça numa pequena almofada chata sob a qual metia toda a sua roupa, limpa e suja. Em frente ao sofá havia uma pequena mesa.
A misantropia de Raskólnikov adaptava-se magnificamente a toda aquela porcaria. Tomara tal aversão a qualquer ser humano, que à vista da própria criada que arranjava o quarto se exasperava. Isso é frequente em certos monomaníacos, preocupados com uma ideia fixa.
Havia quinze dias que a hospedeira suspendera o fornecimento de comida, mas Raskólnikov não pensara ainda em ir entender-se com ela.
Quanto a Nastácia, cozinheira e única criada da casa, não se aborrecia ao ver o inquilino nessas disposições, por que isso importava em uma diminuição do seu trabalho: deixara completamente de arrumar e limpar o quarto de Raskólnikov, vindo apenas uma vez por semana dar uma vassourada. Neste momento entrou para despertá-lo.
– Levanta-te! Como podes dormir até estas horas? Já são nove. Trago-te chá, queres uma xícara? Sempre estás com uma cara!...
Raskólnikov abriu os olhos, espreguiçou-se e reconheceu Nastácia.
– É a patroa que manda o chá?, perguntou enquanto se sentava.
A criada colocou diante dele o bule onde havia ainda um resto de chá, e pôs ao lado dois torrões de açúcar.
– Toma, Nastácia, disse ele, procurando no bolso e tirando uma moeda (mais uma vez se deitara vestido), peço-te que me vás comprar uma pãozinho e traze-me do salsicheiro um pedaço de chouriço, do mais barato.
– Num minuto estou de volta com o pão; mas em vez de chouriço, não queres antes um chtchi*? É de ontem e está uma beleza. Já ontem à noite te guardei um pedaço mas tu entraste tão tarde! Está uma delicia.
Foi buscar o chtchi. Raskólnikov pôs-se a comer e ela sentou-se no sofá ao seu lado, tagarelando, como camponesa que era.
– Praskóvia Pávlovna vai queixar-se de ti à polícia.
A fisionomia do rapaz alterou-se.
– À polícia? Por quê?
– Porque não lhe pagas e não queres sair. Ora aí tens o porquê.
– Essa só pelo diabo! Não me faltava mais nada!, rosnou por entre dentres, muito fora de propósito vem isso agora para mim... E tola, acrescentou em voz alta. Vou logo falar-lhe.
– Tola? É tão tola como eu. Mas tu, que és esperto, para que passas o dia deitado, como um vagabundo? Por que é que ninguém vê o teu dinheiro? Dantes parece que dava lições, por que é que não fazes nada, agora?
– Sempre faço alguma coisa... respondeu Raskólnikov bruscamente e contrariado.
– Que fazes tu?
– Trabalho.
– Mas que trabalho?
– Penso!, respondeu ele asperamente, depois de breve silêncio.

*Típica sopa russa de repolho.
Trecho de Crime e Castigo, páginas 34-36, tradução de Luiz Cláudio de Castro, editora Ediouro.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Niandra Lades: Algo com a mesma vibração de Da Vinci.

Por Erick Johnson.

John Frusciante não é nem de longe o melhor cantor de todos. O melhor guitarrista - talvez -, porém quem conhece seu trabalho como guitarrista, e suas interpretações de clássicos como "How Deep Is Your Love", "For Emily Whenever I May Find Her", "Tiny Dancer", sabe que é indiscutível a emoção que exala de tudo o que ele toca e canta. Frusciante consagrou-se como guitarrista dos Red Hot Chili Peppers, no qual gravou cinco álbuns de estúdio, sendo Stadium Arcadium (2006) o seu último disco como um Pepper. Em 2009 saiu pela segunda vez do RHCP para dedicar-se integralmente a sua carreira solo.

Havia saído pela primeira vez em 1992, durante a turnê do icônico álbum Blood Sugar Sex Magik pelo Japão. Durante o voo para o show, John anuncia que está saindo da banda, para surpresa de seus companheiros. Todos perguntaram o que iria dizer para as pessoas quando soubessem que havia saído da banda, e sua resposta foi simples: “Diga a todos que eu enlouqueci”. Acontece que John estava triste, a fama mundial de BSSM trouxe consigo um desestimulante. Via-se ali se tornando algo que não queria: “Mais um Rock star como qualquer outro”, como disse para a rede de TV holandesa VPRO, em 1994, em sua primeira entrevista desde a saída da banda em meados de 92. Ali se descobre um John totalmente diferente de dois anos atrás, decorrente das drogas que vinha consumindo em grandes quantidades. O repórter responsável pela entrevista, Bram van Splutern, ao ver o estado do agora mazelado John Frusciante, disse:

"Eu tinha ouvido algumas histórias sobre as drogas, mas não sabia então que ele tinha entrado neste grave estado de uso em heroína, então quando ele abriu a porta para nós, eu fiquei chocado ao ver a condição que ele estava lá dentro. Passamos provavelmente algo como duas horas em sua casa, sua namorada também estava lá e filmamos o tanto quanto poderíamos. Durante um dos intervalos, John entrou em outra sala e usou mais um pouco de heroína. Eu pensei que era um pouco chocante. Mas por outro lado, às vezes eu pensava que ele estava muito lúcido e tinha coisas interessantes a dizer sobre os Chili Peppers, sobre a vida, sobre si mesmo e sobre sua música. Quando sai de sua casa duas horas depois estávamos em estado de choque sobre a forma como John estava lá dentro, sobre o sangue que estava em sua camisa, os seus dentes que eram muito ruins, as cicatrizes em seu braço... Foi uma experiência muito emocional encontrá-lo naquele estado."

A entrevista coincidiu com em que John estava lançando seu primeiro CD, Niandra Lades and Usually Just a T-Shirt, álbum criado que fora criado porque, para John, não havia músicas de qualidade sendo produzidas na época:

 (Podemos observar um pouco do estado de John na época)

Niandra Lades and Usually Just a T-Shirt fora feito para sentir (como tudo o que faz), fechar os olhos e se concentrar totalmente nos sentimentos que são característicos de seus álbuns. Caracterizo-o como um álbum complexo, confuso, com solos nervosos, e outrora calmos com distorções ao fundo, e gritos alucinantes, mostrando uma faceta de seus sentimentos da época em que o compôs. O disco fora gravado na sala da antiga casa de John, (queimada devido a um mix de drogas). Se trata de uma produção "Lo-fi”(produções com baixa qualidade), contendo violão, banjo, guitarra e piano, todos tocados por John. Se você espera algo com produções ótimas - ou perto disso -, bom, temo que você não goste. Porém, se espera algo expressivo, você irá adorar. 

Inicialmente, a ideia consistia em lançar dois álbuns, Niandra Lades e Usually Just a T-Shirt. Não obstante, John acreditava na sua morte devido às drogas logo, logo, então optou por lançar ambos em conjunto. O encarte do álbum contém John num personagem com visual andrógino, com a cabeça adornada por um chapéu florido, por cima de cabelos amarrados, lembrando mulheres do século 50. Lábios escurecidos, casaco e cachecol completam o look. Interpreto essa escolha como uma alusão a sua visão de Rock n’ Roll na adolescência, onde tem a bissexualidade/androgenia como algo ligado ao Rock n’ Roll. Ainda na capa podemos ver uma dedicatória: “To Clara”. Trata-se de Clara Balzary, filha de Flea (seu grande amigo), a qual denominou como “A pessoa mais legal”.


O disco é composto por 25 músicas dispostas em 1 hora e 10 minutos. Como mencionei acima, a ideia inicial residia em lançar dois álbuns em um único. E assim fez-se: A primeira metade contém o Niandra Lades (concebido durante as gravações de BSSM) composto por 12 músicas, com destaque para as faixas “As Can Be”, “My Smile Is A Rifle”, “Skin Blues”, “Your Pussy’s Glued To A Building On Fire”, “Blood On My Neck From Success” e “Ten To Butter Blood Voodoo”. Já a segunda metade, composta por Usually Just a T-Shirt, possui 13 faixas que não possuem nomes, sendo chamadas de “Untitled”, e se diferenciam por sua ordem de entrada.

A primeira parte do álbum, composto pelas músicas do Niandra Lades, tem inicio com John falando "One, Two, Three, Four", numa voz grave e lenta, seguida da música "As Can Be", com um instrumental lento: com violão, banjo, e a guitarra com o feeling característico de Frusciante. O instrumental segue até 1 minuto e 45 segundos, ponto em que John começa a cantar, onde podemos perceber o estilo "lo-fi" em sua voz. A letra traz um teor de despedida, acentuando-se no fim quando quase narrando John canta: "E eu te amo, e sempre tive que agradecer a Deus por ter te encontrado. Lindas conversas, bem, isto era assim pra mim”. Podemos ver um pouco de seu desprendimento da vida quando canta  “Você vê? Não existo mais. Eu sou feliz do jeito que posso ser".   

"My Smile Is a Rifle" dar continuidade trazendo um começo também lento com apenas guitarra, sempre com o Feeling magnífico. Quando John começa a cantar, temos que fechar os olhos e sentir. Embarcar numa viagem não é opcional. Sua voz, grave e lenta no começo, transmuta-se constantemente ao longo de 3 minutos e 50 segundos, de grave a palavras gritadas, numa voz aguda e ANASALADA. Para mim, uma das mais expressivas da primeira parte de Niandra.  A próxima, Head (Beach Arab), escrita aos 16 anos, apresenta-se uma letra curta e confusa. Conta com a presença do banjo tocado incessantemente ao fundo, o violão dando um ar psicodélico, e no fim um pequeno solo fechando a faixa com chave de ouro.
  
Chega à vez de "Big Takeover", cover da banda de hardcore americana Bad Brains, na qual a letra apresenta críticas às ações humanas. Jonh faz uma versão com violão e banjo intenso que nos lembra de músicas árabes, mostrando uma vertente diferente do resto do álbum. A quinta faixa se chama "Curtains", única tocada no piano, que começa lenta e vai progressivamente aumentando de ritmo, até se tornar a música mais agitada da primeira metade do álbum. “Running Away Into You”, única música da primeira parte do álbum escrita e gravada após sua saída da banda, é a sexta faixa, marcada pela presença de efeitos, "noises" alucinantes, mostrando as garras experimentais de Niandra Lades and Usually Just a T- Shirt. 

“Mascara”, é a próxima, tocada apenas com violão. John canta simultaneamente partes diferentes, ora serenamente, ora intensamente. Uma de minhas preferidas. “Been Insane”, tocada apenas com o violão, traz na letra confissões e lamentações: “Eu tenho sido insano, bem, o tempo é lento”/ “Quando você está em volta, sou a ferida em volta do seu polegar”, talvez endereçadas a Toni Oswald, sua namorada e a pessoa mais próxima na época. Been Insane dar lugar a “Skin Blues”, única faixa instrumental da primeira parte do álbum e minha música preferida de “Niandra Lades”. Com o feeling magnífico do violão e da guitarra, a faixa se inicia com John tocando violão em um ritmo rápido, que aos poucos diminui no momento em que a guitarra entra, e nos leva a uma viagem em outra dimensão. Em meio a versos que parecem desconexos, John canta: “O sorriso no meu rosto não é sempre real”. Apresento-lhes “Your Pussy’s Glued To A Building On Fire”, faixa composta durante o BSSM que reflete boa parte da vida de John durante esta fase, onde aparentava estar feliz, quando o contrário se fazia presente, principalmente no documentário “Funky Monks” (sobre as gravações de BSSM) no qual suas aparições eram sempre descontraídas, parecendo estar bastante feliz - um dos motivos pelo qual sua saída ter causado surpresa geral. Nesse ponto, já estamos quase no fim de um álbum que mistura efeitos, elementos de outras culturas, gritos alucinantes e um feeling que só John Frusciante é capaz de ter. O álbum termina com "Blood On My Neck From Success" (Sague no meu pescoço do sucesso, numa tradução livre), e "Ten To Butter Blood Voodoo", letras que sintetizam a inspiração do álbum. Destaque para a última, na qual ouvimos sua voz duplamente, como em "Mascara", porém, nesse caso servindo como Back Vocal. Dessa forma Niandra Lades chega a seu fim após um curto, porém,  alucinante solo, "tocado com o dedo do meio".


Este foi o meu primeiro post, espero que tenham gostado. Aos que não conhecem o trabalho solo de John, espero que este tenham sido um bom começo. Sugestões e correções são muito bem vindas. Comentem! 

Teletransporte: mito ou realidade?

Por Flávio Viana.

Na primeira postagem sobre a área da tecnologia do blog, seria interessante lançar o seguinte questionamento: o quão rápido o mundo está evoluído? "Recentemente foi lançado o Galaxy S4, um celular com possibilidade de ter um hexa core! Sim, enquanto que voce está se vangloriando por ter um i7 em seu desktop, há um celular várias vezes menor que tem seis cores! Fora isso, o aparelho ainda vem com interessantes upgrades, tais como a possibilidade de leitura de um texto apenas com o movimento dos olhos e de automaticamente pausar um vídeo caso você desvie o olhar da tela. Tudo isso não é ‘mágica’, é tecnologia e, acima de tudo, ciência! Mas infelizmente o nosso país apenas se interessa por avanços que são ‘populares’, como celulares potentes, computadores potentes... Nós não temos ideia de quantas coisas interessantes a ciência pode nos oferecer. Pouco chega ao nosso país o maravilhoso avanço do mundo das telecomunicações. (Um dos pontos que mais evoluem de anos para cá.)


Uma matéria que é interessante ressaltar fala a respeito de um experimento que aconteceu dia 13 de novembro de 2012. Sabe quando você assistia Dragon Ball Z e via o Goku se teletransportando? Então... Cientistas estão cada vez mais perto disso. Na Universidade de Ciência e Tecnologia da China, em Hefei, Xiao-Hui Bao e alguns companheiros deram um importante passo para o teletransporte. Eles conseguiram teletransportar informação de um macro objeto a 150 metros de distância.

Indo com calma, certamente vem a pergunta: qual a ideia do teletransporte? Ele vem com o estranho fenômeno do entrelaçamento de 2 objetos, dividindo a mesma existência, ou seja, não importa a que distância eles estejam, um irá influenciar no outro. Justamente por esse link que seria o elo entre os 2, os cientistas planejam mandar o objeto sem a necessidade de passar pelo espaço. Antes de prosseguir, ‘quanto’ seria um valor elementar, relacionado, no caso, ao sistema quântico. 

Já existe teletransporte de íons de fótons (ou fotão, que são justamente o ‘quanto’ da energia eletromagnética, como a luz), por exemplo, mas não o teletransporte de informações de um objeto macroscópico para outro a 150 metros de distância. Eles conseguiram o teletransporte de informação quântica de um conjunto de átomos de rubídio (um elemento químico) para outro utilizando um emaranhando de fótons! O sucesso nesse teletransporte é um importante passo para evitar perdas pelos roteadores quanto, pois os qubits (as informações do quanto) são extremamente sensíveis, e essas passagens pelos roteadores quanto é um dos passos mais complexos para realização dessa tarefa.
         
O ser humano ainda está longe de chegar a invenções antes inimagináveis, mas está evoluindo. Não se surpreenda se, por exemplo, antes de morrer, coisas que aparecem em filmes como Star Wars se tornem algo real.